Depois de dez pregões consecutivos no vermelho, a pior sequência do ano, o Ibovespa finalmente encontrou fôlego nesta terça-feira (18). O índice operou em alta de 0,13%, aos 167.006 pontos, e chegou a tocar a casa dos 168 mil pontos ao longo da sessão, segundo apurações de mercado. O dólar acompanhou o alívio e recuou 0,14%, cotado a R$ 5,2115, dando continuidade ao movimento da véspera, quando a moeda americana interrompeu cinco altas seguidas e fechou a R$ 5,1998.
O respiro, porém, veio acompanhado de ressalvas. O pano de fundo continua sendo o mesmo que derrubou a bolsa nas últimas duas semanas: a paralisação do Estreito de Ormuz e a escalada verbal entre Washington e Teerã.
Ormuz fechado empurra o petróleo para cima de US$ 90
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta terça que a passagem "não será reaberta até que os compromissos americanos previstos no protocolo do acordo sejam cumpridos". O Irã exige o fim do bloqueio naval, o descongelamento de ativos, a suspensão do embargo ao petróleo e a interrupção das operações militares na região.
Do outro lado, Donald Trump negou que existam negociações em curso e garantiu que o estreito "está aberto e operando" versão contestada pelos preços. O republicano ainda elevou o tom ao ameaçar Omã, país que atua como mediador: "Se Omã atrapalhar, vamos bombardear e destruir", disse à Fox News.
O mercado não comprou a narrativa oficial. O Brent avançou para US$ 90,92 o barril e o WTI para US$ 84,90. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e gás negociados no mundo passavam por Ormuz. O ouro, refúgio clássico, também segue valorizado, na faixa dos US$ 4.461 a onça.
Para a Bolsa brasileira, o efeito é ambíguo: a Petrobras se beneficia da commodity mais cara e funcionou como principal sustentação do índice, mas o choque de energia pressiona a inflação global e trava o apetite por risco em mercados emergentes.
Wall Street sem tração
Nos Estados Unidos, os índices seguem sem direção definida, pressionados justamente pela combinação de petróleo caro e juros longos elevados. Na véspera, o Dow Jones caiu 0,51%, o S&P 500 recuou 0,52% e o Nasdaq cedeu 0,31%. Na Europa, o STOXX 600 fechou em baixa de 0,22%.
No Brasil, atividade fraca e dúvida sobre o Copom
O noticiário doméstico não ajudou. O IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo Banco Central, recuou 0,6% em junho, um pouco pior que o esperado, com queda simultânea de indústria e serviços, sinal claro de que o ciclo de juros altos cobrou seu preço.
A Selic foi cortada para 14,00% ao ano em 5 de agosto, o quarto corte do ciclo. Agora o debate no mercado é se o Copom entrega um quinto corte, para 13,75%, em setembro, ou sinaliza pausa. Os juros futuros embutiram um viés de queda: o DI para janeiro de 2028 recuou para 13,99%.
Casas Bahia joga uma sombra sobre o crédito
O caso corporativo do momento é o pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, protocolado na noite de domingo (16) na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A varejista acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas e reportou prejuízo de R$ 10,1 bilhões apenas no segundo trimestre, R$ 11,18 bilhões no semestre, com patrimônio líquido negativo em R$ 8,27 bilhões.
A companhia atribui a crise a "juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo". O plano prevê o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil funcionários. O caso pesou sobre as ações de bancos, que voltaram ao radar por conta da qualidade das carteiras de crédito ao varejo.
Itaú avança nos EUA
Na contramão do humor pesado, o Itaú Unibanco (ITUB4) recebeu do OCC, órgão regulador bancário americano, aval preliminar para constituir o Itaú Bank, instituição com licença nacional nos Estados Unidos. O banco ainda depende de autorizações do Federal Reserve e do FDIC antes de operar, mas a aprovação marca o passo mais concreto do grupo rumo à operação bancária plena no maior mercado do mundo.
Nota de fechamento: os dados de Ibovespa e dólar refletem o comportamento ao longo do pregão desta terça; os números finais podem sofrer ajuste no fechamento oficial.

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